Opinião

13 Jogos para te ajudar a escolher um presidente!

Nada de notícia nem de review: uma lista de jogos que fazem pensar e que passam uma mensagem sobre poder, liberdade e empatia.

Hoje eu não quero falar de notícia, não quero fazer review, não quero falar de uma experiência específica. Hoje eu quero fazer uma lista com alguns jogos que nos fazem pensar, jogos que nos passam uma mensagem.

Hoje eu quero fazer uma lista com 13 jogos que vão te ajudar a escolher um presidente. Então, sem enrolação, vamos começar.

1. Disco Elysium

Key Art Disco Elysium

Em Disco Elysium você vive o papel de Harrier Du Bois (acho que falar o nome dele é meio que dar um spoiler do jogo, mas enfim). Você é Harrier Du Bois, um detetive que acorda da pior ressaca da vida num quarto de hotel completamente destruído, sem as suas memórias. Depois de acordar, você descobre que está em Revachol, para investigar um assassinato.

Revachol vive o período pós-revolução fracassada. A revolução comunista que estava em curso na cidade foi esmagada por uma coalizão internacional e, como resultado, você vê uma cidade em ruínas. No momento em que você chega, está rolando uma greve dos trabalhadores.

O jogo mostra como a interferência externa prejudica uma nação inteira. Depois que a Moralinterna acabou com a revolução, Revachol não voltou a ser governada pelo próprio povo: quem ficou com as rédeas na mão foram os estrangeiros. A cidade foi destruída pela guerra e nunca foi realmente reconstruída, então, enquanto você anda, vê marcas e estragos do passado que ainda são muito presentes. Quem tem dinheiro e poder é o povo de fora, enquanto o pessoal de Revachol ficou na pobreza.

Você pode traçar aqui muitos paralelos com o que os Estados Unidos fizeram com a Venezuela recentemente, com Cuba no passado e até hoje.

2. Fallout

Key Art Fallout

Eu sei que as pessoas não gostam tanto assim de Fallout 4, mas eu tenho um carinho especial por ele porque foi o primeiro Fallout que eu joguei. Lembro muito do misto de sentimentos enquanto jogava: no começo a vida está linda e perfeita, aí do nada você tem que correr para um bunker e fica congelado, acorda vendo alguém matar sua esposa e sequestrar seu filho. Na primeira vez que você sai do Vault, o sol te cega e aos poucos você vai vendo o que aconteceu com aquele mundo, fica livre para ir aonde quiser, vai entendendo a questão dos vaults e seus experimentos. No final eu realmente fiquei chocado quando encontrei meu filho de novo.

Mas Fallout não é só sobre isso, não é só sobre ir atrás do seu filho. Fallout se passa em um Estados Unidos pós-apocalíptico que foi destruído pela ganância de megacorporações.

A Vault-Tec é a empresa que vendia vagas em bunkers nucleares com a promessa de proteger a população de uma eventual guerra nuclear que, por trás dos panos, ela mesma ajudou a provocar. Numa guerra, um lado sempre vence, e esse é o lado de quem fornece armas, suprimentos e, por que não, bunkers. O que eles não contaram a ninguém é que em cada bunker, ou vault, as pessoas passariam por experimentos diferentes: desde experimentos psicológicos, como num vault em que bombearam gás alucinógeno e fizeram os moradores entrarem em paranoia, até experimentos biológicos, como num vault em que a porta foi projetada para não fechar direito, então as pessoas ficaram expostas à radiação e se tornaram ghouls.

Em Fallout: New Vegas, mais especificamente, você consegue ver as consequências das suas ações. Decidir ajudar ou não uma facção muda a vida das pessoas que vivem sob aquela bandeira, e então você entende que política não é só uma palavra: você realmente afeta a vida das pessoas.

3. BioShock

Key Art Bioshock

Em BioShock você vive o papel de Jack, que sobrevive a uma queda de avião perto de um farol, a entrada para uma cidade submersa. Uma cidade construída com o intuito de ser uma utopia sem governo, sem religião e sem regras morais.

E aí você descobre o que uma cidade sem regras realmente é: uma cidade com monopólios, com exploração dos trabalhadores, que na visão deles são apenas mão de obra descartável, uma cidade em que poucos controlam toda a informação que circula e a narrativa que as pessoas conhecem.

Você começa a descobrir que ninguém é realmente livre numa sociedade assim. Livre-arbítrio é um luxo que não existe nesse lugar, quando alguém lá de cima está sempre fazendo as escolhas por você.

Andrew Ryan, o nome do fundador da cidade, é uma brincadeira com o nome de Ayn Rand ("We R Ayn Rand", ou "nós somos Ayn Rand"), a escritora russa que desenvolveu o conceito de Objetivismo. É o conceito usado em BioShock, mas elevado à enésima potência, já que Rapture foi construída para ser um lugar em que o grande não fosse sufocado pelo pequeno.

4. Wolfenstein

Wolfenstein eu acho que é bem direto ao ponto, né?

Key Art Wolfenstein

É um jogo que se passa num futuro alternativo em que os nazistas ganharam a Segunda Guerra Mundial e hoje controlam o mundo. Um mundo onde você vê explicitamente que os nazistas são os inimigos, sem meio-termo, sem empatia, sem lado bom. O jogo não tenta humanizá-los, muito pelo contrário: ele escancara na sua cara que o fascismo é inaceitável.

Ele flerta bastante com o movimento de supremacistas brancos dos Estados Unidos, como a Ku Klux Klan, e mostra que o racismo pregado por essa seita e o nazismo vindo da Alemanha são iguais, e que isso está entre nós, não é só uma coisa estrangeira.

E, para combater os nazistas, o seu time da resistência conta com minorias que estão se rebelando contra esse sistema, como mulheres de personalidade forte, pessoas pretas e judeus.

5. Cyberpunk 2077

Key Art Cyberpunk 2077

O que você faria se morasse num lugar onde quem governa são megacorporações, onde não existe Estado nem governo, e você tivesse o construto de um rockeiro terrorista preso na sua cabeça?

É esse o cenário de Cyberpunk 2077.

Em Night City, a Arasaka e a Militech controlam a polícia, a mídia, a saúde e a guerra. Logo numa das primeiras missões você já tem uma noção do que é esse mundo: quando você resgata uma mulher que estava morrendo numa banheira, aparece uma equipe médica armada pronta para salvá-la, mas quem não tem dinheiro ou status nesse mundo não merece saúde.

Os corpos das pessoas são sucateados e comercializados. É um mundo onde todos são reféns de implantes tecnológicos e, se você não tem dinheiro para mantê-los, vira um psicopata cibernético.

Não existem finais felizes em Night City: ou você morre como uma lenda ou vive entre a multidão.

6. The Outer Worlds

Key Art Outer Worlds

Em The Outer Worlds você está num mundo de empresas. A escrita da Obsidian é sempre excelente e aqui não é exceção. O humor que eles usam para retratar uma galáxia em que um "Conselho" governa a colônia como se fosse uma grande empresa, com slogans, propagandas, tudo como um grande RH, esconde a exploração que as empresas fazem com as pessoas.

Existem cidades-empresa em que os trabalhadores recebem a moeda local e trocam por produtos da própria empresa para a qual trabalham, sem liberdade comercial, sem escolhas. A ganância corporativa faz com que a sua liberdade de consumo seja apenas uma ilusão.

7. Esoteric Ebb

Key Art Esoteric Ebb

Esoteric Ebb é um jogo extremamente parecido com Disco Elysium, mas eu queria trazer aqui para mais gente conhecer porque é um jogo simplesmente sensacional!

Ele é baseado em Disco Elysium, mas usa o sistema de D&D, então você tem raças diferentes, como goblins, anjos e demônios. O jogo é engraçado em vários momentos e tem um tom muito cômico se comparado a Disco. E, enquanto em Disco Elysium você vive o pós-fracasso de uma revolução, aqui você está no meio da primeira eleição de uma cidade.

Ele explora a transição para um sistema democrático e de voto popular. Você vê e conversa com muitas pessoas que não entendem por que isso é necessário, pessoas que não acreditam que vai dar certo, mas ao mesmo tempo vê gente cheia de esperança e alegre por finalmente poder ser ouvida, ter uma voz, uma opinião, poder se expressar, e tudo isso por meio de um simples papel.

Classes marginalizadas e esquecidas, que sofreram massacres e genocídios, agora podem fazer parte de algo e têm que escolher quem vai ser o representante que vai governar a cidade.

E no final você ainda pode escolher em quem vai votar. Só de lembrar de pedaços da história e do jogo, eu fico pensando em como fiquei feliz de poder fazer parte daquela votação.

8. The Wolf Among Us

Key Art Wolf Among

Acho que The Wolf Among Us é o meu jogo favorito da nem tão finada Telltale, um jogo com uma história e uma narrativa impecáveis.

É um jogo que trata de imigração e exílio. Na história, as criaturas dos contos de fadas fugiram da sua terra natal, que foi invadida e conquistada pelo Adversário, e foram morar em Nova York. Com isso, elas têm que esconder traços de si mesmas e quem realmente são para poder se encaixar na sociedade local, assim como um imigrante tem que fazer quando chega a um novo lugar para se adaptar, já que as pessoas são avessas às diferenças.

Eles têm um feitiço chamado Glamour, que faz essas criaturas se passarem por humanos, mas é um feitiço caro, e quem não tem como pagar é jogado na "Fazenda", que podia ser a da Record, mas aqui é como se fosse uma quebrada totalmente marginalizada, com pessoas desequilibradas, assim como na da Record.

9. Detroit: Become Human

Key Art Detroit

Detroit se passa num futuro em que androides são normalizados e trabalham para os humanos, mas a forma como eles trabalham é uma analogia direta à escravidão e à segregação: mesmo despertando sua consciência e individualidade, eles trabalham sem direitos, sentam no fundo dos ônibus, são agredidos em público e isso não tem consequência nenhuma.

No jogo você pode escolher o caminho pacífico ou o violento, em referência a Martin Luther King e Malcolm X. O jogo faz você sentir empatia e se importar com seres, com pessoas, que são consideradas apenas objetos pela sociedade.

10. Persona

Key Art Persona

Eu ainda sou novo no mundo de Persona. Joguei Persona 5 e o remake do 3, ambos incríveis, e estou ansioso pelo remake de Persona 4.

Mas em Persona 5 você tem como vilões um professor abusivo que se vê como um rei na escola, onde as regras não se aplicam a ele, um artista que rouba a arte dos alunos, um empresário que explora os funcionários e um político corrupto, cada um representando uma face do abuso de poder.

A escola, a mídia e a polícia são instituições que aparecem na história apenas para proteger os poderosos e silenciar os fracos. Então os protagonistas, que são estudantes, decidem fazer alguma coisa a respeito, já que ninguém mais faz nada.

11. Far Cry

Key Art Far Cry

A série Far Cry é muito conhecida por seus vilões. Vaas, Pagan Min, Joseph Seed e Antón Castillo mostram que líderes autoritários e líderes de seita atraem seguidores e fiéis mesmo enquanto tudo ao redor está desmoronando.

Em Far Cry 6, Antón Castillo, interpretado por Giancarlo Esposito, governa a cidade de Yara com um regime autoritário, com trabalho forçado e propaganda.

Em Far Cry 5, Joseph Seed domina um condado com medo, carisma e força.

12. Red Dead Redemption 2

Key Art Red Dead

Em Red Dead Redemption 2 a gente tem um dos personagens mais bem escritos de todos e uma história espetacular, com um final de encher os olhos de lágrimas.

Mas é um jogo que mostra como a modernização irrestrita empurra a gangue para fora das cidades, como se eles já não tivessem lugar naquele mundo. É um jogo que mostra a batalha das mulheres em busca do direito de votar, que traz personagens femininas fortes, que mostra o preconceito e o racismo daquela época e mostra Arthur, um brutamontes da época, começando a sentir empatia pelas pessoas.

13. The Witcher 3

Key Art Witcher 3

Em The Witcher 3, logo no começo, quando você ainda está aprendendo e entendendo as coisas do mundo, você ouve falar da guerra e te perguntam de que lado você está. Geralt diz que não se mete em política, mas isso logo cai por terra.

A decisão que você toma por não agir também gera consequências, e você vê isso acontecer: se você não se posiciona, alguém vai se posicionar por você. Alguém vai sofrer e alguém vai sair favorecido, e cabe a você decidir quem é quem na história.

Várias vezes você se depara com uma escolha em que tem que ir com o menos pior. Nada é preto no branco, nada é 100% bom e nada é 100% mau.

É uma história que mostra vários temas diferentes. A do Barão Sangrento mostra um homem poderoso que abusa da família, e traz violência doméstica, alcoolismo e trauma. Em Novigrad, a Igreja do Fogo Eterno queima magos, não humanos e qualquer pessoa suspeita de heresia, sem precisar de julgamento, sem precisar de processo, bastando alguém chamar e apontar para o vizinho. Então a cidade vive em paranoia, exatamente como as pessoas estão vivendo com medo nos Estados Unidos por causa do ICE.

O que esses jogos têm em comum

Esses são apenas alguns dos motivos e das mensagens que a gente encontra nos jogos: mensagens de empatia, inclusão e respeito. Eles mostram como é uma sociedade abandonada, uma sociedade governada para os ricos, onde as minorias têm que se curvar perante as maiorias.

Com certeza, se você é bolsonarista, já parou de ler faz tempo ou nem entrou nesse texto. Mas eu só quero deixar claro que eu não sou petista, inclusive nem do Lula eu gosto, por ele não ser de esquerda de verdade. Só que, contra um lado cujas únicas propostas são destruir o que temos e combater inimigos invisíveis, contra uma corja de um partido cujo plano de governo é pôr em risco pessoas que eu amo, já que eles só querem acabar com a saúde pública, tirar direitos dos homossexuais e fazer da nossa casa um quintal de um país que fala tanto em paz mas arma dissidentes e promove um genocídio contra uma população inteira, eu vou votar no Lula.

únicas propostas são destruir o que temos e combater inimigos invisíveis, o plano de governo é pôr em risco pessoas que eu amo, já que eles só querem acabar com a saúde pública, tirar direitos dos homossexuais

E caso você esteja aqui e seja de direita, mas de direita mesmo, não bolsonarista, eu sei que você também não gosta do Bolsonaro, porque você sabe que ele não representa a direita. Ou quando foi que as pautas da direita mudaram de querer um livre mercado para tirar direito de pessoas trans?

E você, qual jogo colocaria nessa lista?

Todas as ideias diferentes são bem vindas, desde que sejam compartilhadas com respeito e educação!

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